Observatorio de bibliotecas y pueblos originarios en América Latina

Observatorio    Presentação

Observatório de Bibliotecas e Povos Nativos na América Latina

Observatório | Presentação


O "Observatório de Bibliotecas e Povos Nativos na América Latina" é um projeto emoldurado nas humanidades digitais. Propõe a criação dum espaço virtual para a recuperação, organização sistemática, exposição pública e divulgação de dados relacionados ao conhecimento indígena na América Latina em geral e com as bibliotecas que prestam serviços aos povos nativos do continente em particular.

Com participação e apoio internacional, o projeto pretende elaborar o primeiro estado atual da questão sobre esse assunto na América Latina. Um estado cuidadosamente documentado e atualizado que irá expor:

  • a situação geral do conhecimento tradicional das sociedades indígenas do continente: distribuição, validade, usos (através da palavra e a tradição oral, e da palavra escrita e impressa em formato de livro), necessidades, problemas, propostas e ameaças.
  • o papel das bibliotecas, arquivos, livros (e editores) e outros meios (especialmente as novas tecnologias) na sua recuperação, preservação e disseminação.
  • qualquer outra informação relevante relacionada: legislação regional e nacional que afete esses conhecimentos, instituições e indivíduos responsáveis pelo desenvolvimento e implementação de políticas e diretrizes, estatísticas, documentos oficiais, literatura acadêmica, notícias, etc.

A informação a ser recuperada através do "Observatório" está atualmente muito dispersa, ou é diretamente invisível. Este espaço procura reuni-la com a colaboração de atores diretos e organizações (inter)nacionais de vários campos disciplinares, e apresentá-la, organizada, num único site. Os dados serão estruturados em três eixos principais: oralidade, livros e bibliotecas.

  • No eixo oralidade recolhe-se toda a informação existente sobre o conhecimento transmitido através da palavra falada. Associadas a ela vão as linguas usadas e a sua vitalidade, os usos da oralidade, a necessidade de transmitir certos conhecimentos, etc.
  • No eixo livros agrupan-se os dados sobre o conhecimento em forma escrita e os mecanismos utilizados para o fazer: códigos usados, editoriais, edições (privadas ou públicas) e políticas e legislação a este respeito (edição de livros como resposta a tratados e leis sobre publicação como apoio aos povos indígenas).
  • Por fim, no eixo bibliotecas organizan-se as informações sobre todos os espaços de gerenciamento de armazenamento, conservação e conhecimento, tradicionais ou não.

A sistematização desta informação numa única plataforma obedece à necessidade de ter uma paisagem de informação ampla, sólida e interdisciplinar. Esse cenário é essencial para identificar e (re)conhecer os problemas e deficiências que afetam o conhecimento indígena e seus produtores. Os processos de conservação, apoio, revitalização e difusão do conhecimento indígena precisam, em primeiro lugar, dum sólido reconhecimento inicial do seu estado: seus componentes, seus atores, sua validade, sua distribuição, suas principais características, seus canais, suas formas e seus conteúdos, seus processos e usos, as ameaças às que está sujeito, os problemas que tem, as pressões que sofre, as oportunidades que tem... Sem essa informação é impossível elaborar uma política firme ou um plano de ação a longo prazo, em áreas como educação intercultural, preservação de línguas ameaçadas, recuperação de conhecimento relacionado à sustentabilidade, inclusão social ou uso de novas tecnologias. Somente através de informações claras, podem ser estabelecidas políticas e ações destinadas a recuperar e fortalecer o patrimônio intangível e as identidades das diferentes sociedades nativas latino-americanas.

Em um segundo estágio, o "Observatório" propõe analisar a informação coletada para detectar e identificar tópicos que podem ser trabalhados através de equipes de colaboradores diretos (por exemplo, padrões de problemas e deficiências) e possíveis motivos e soluções. A partir dos resultados obtidos através dessa análise, (a) podem ser produzidas hipóteses que podem ser verificadas através do trabalho de campo; e (b) podem ser produzidos materiais educacionais básicos, recomendações, diretrizes de trabalho, políticas e manuais que apoiam, teoricamente, a toma de decisões e o design do projeto.

A longo prazo, o "Observatório" pretende tornar-se o nó central de uma rede latino-americana dedicada à investigação do conhecimento indígena e os seus canais, sistemas e tecnologias de transmissão e preservação; num provedor de informações estratégicas e apoio institucional; e num espaço de referência para propostas relacionadas a este assunto.

O projeto é totalmente replicável: uma boa prática exportável para qualquer outra região ou nação no planeta onde existem populações indígenas. Será desenvolvido a partir da perspectiva das humanidades digitais, que combinam metodologias e valores acadêmicos com as ferramentas, a cultura e os valores da Internet. Esta abordagem das humanidades digitais permitirá que o "Observatório" se torne, além disso, um espaço plural e multidisciplinar de encontro, discussão, pesquisa e construção de conhecimento, que convoca atores de diferentes origens, experiências e profissões.



A pessoa encarregada do "Observatório" é Edgardo Civallero. Pode ser contatado no seu e-mail pessoal, edgardocivallero (em) gmail (ponto) com.

Este projeto foi iniciado em fevereiro de 2017. O site, criado em agosto de 2017, está atualmente em construção.